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Publicado em
14/08/2012 10:22:13
Hacker Highschool: Maneira Prática de Redesenhar o Futuro
Além do que já foi falado, os hackers sabem a maneira exata e inteligente de modificar muitas situações, tendo o expediente de ajustar, personalizar e até mesmo melhorá-las. Entretanto, as habilidades de um hacker são diversas, seu comportamento é único e poderoso o suficiente para tornar-se perigoso, caso seja exercido pela pessoa errada.
De acordo com estudos realizados, há uma demonstração de que um indivíduo amador ( atuante em qualquer área em particular), está muito mais propenso a cometer o auto-engano de que ele sabe o suficiente para dominar uma determinada atividade. Mas, a partir do momento em que ele recebe alguma formação profissional, certamente começa a compreender que a aprendizagem é um processo contínuo e ninguém possui o conhecimento em sua totalidade.
Nesse contexto, um estudo semelhante orientado pelo ISECOM, intitulado Hacker Profiling Project, mostra que os indivíduos amadores, levados pelo impulso, pela empolgação, pela falta de profissionalismo e sem o mínimo senso de ética e responsabilidade, são justamente os que ocasionam os maiores danos à programas de computadores e sistemas operacionais. E isso resulta em dores de cabeça às pessoas que são atingidas por esses atos inescrupulosos.

Inovação, ética e seriedade são as tônicas do projeto Hacker Highschool, cujo objetivo é preparar, de forma íntegra e correta, os jovens que queiram ingressar na área de Segurança da Informação
Em virtude de todos esses fatores, fica muito claro o quanto é importante mostrar aos adolescentes uma forma de adquirir conhecimentos e habilidades, podendo superar o nível amador. Existe uma necessidade muito grande de jovens que tenham percepção sobre como eles próprios são "pequenos" quando comparados ao grandioso mundo dos hackers. Dessa forma, é essencial que exista uma maneira bem sucedida de torná-los responsáveis acima de qualquer coisa, imaginando a possibilidade de introduzir, corretamente, esses adolescentes no fascinante "universo hacker". Isso os deixará mais seguros quando estiverem on-line, além de mostrar-lhes novas formas de pensar e fazer com que tenham a desenvoltura necessária para melhorar qualquer área profissional, dentro da qual estiverem atuando.
O projeto Hacker Highschool agora oferece licença livre de segurança, privacidade e material de ensino voltado para a conscientização de que os alunos possam seguir por conta própria, sem a necessidade de instrução extra de profissionais liberais ou professores. As aulas serão ministradas a partir de qualquer CD "Linux Live", que irá funcionar, obviamente, em um computador que possua um drive de CD-ROM. Além disso, haverá a disponibilidade de um laboratório de testes "web-based", com criação e manutenção específica para o projeto Hacker Highschool.
Abordagens e Elementos Primordiais Relacionados ao Hacking
No contexto dos ensinamentos sobre as práticas de hacking, há alguns tópicos importantes que fortalecem o curso ministrado, favorecendo o aprendizado dos alunos e/ou compondo as atividades after-school. As abordagens englobam: Ser um Hacker; Comandos Básicos em Windows, Linux e Mac OS X; Portas e Protocolos; Serviços e Conexões; Identificação do Sistema; Ocorrências de Malware; Análise de Ataques Cibernéticos; Computação Forense Digital; Segurança e Privacidade nos E-mails; Segurança e Privacidade na Web; Senhas (proteção e relevância); Legalidade e Ética na Grande Rede; Computação em Nuvem; Engenharia Social; Conexão Wireless e Hacktivismo.
O ensino e a explanação sobre cada um desses tópicos mencionados acima, começa de maneira formal (como lições e livros para estudantes do ensino médio), tirando proveito dos estudos que mostram como os adolescentes colocam em prática o aprendizado e como os hackers são capazes de fazer suas descobertas.
O que mais prevalecia como questão preocupante, era o fato dos adolescentes estarem cada vez mais envolvidos com o universo on-line; porém, eles não estavam preparados para o que esse universo reservava: scammers, malware, worms, práticas cibercriminosas realizadas por bankers, carders e demais atacantes, além de empresas atuando sem nenhum vestígio de ética. E alguns desses jovens já foram descobrir o lado inseguro da Web utilizando, arbitrariamente, ferramentas de hacking, e através de algumas dicas divulgadas por veículos de comunicação, sites públicos e até mesmo utilizando mensageiros on-line.
Assim, enquanto a motivação dos jovens em relação ao aprendizado dava sinais positivos, essa mesma motivação era incoerente com o que eles estavam tentando fazer. Em suas mentes, não havia uma noção dos transtornos que poderiam causar ao usar as técnicas de hacking de forma aleatória. Chegava a hora de ensiná-los da maneira certa, de explicar minuciosamente "o que é" e "como age" um verdadeiro hacker. Sendo assim, os jovens receberam um ambiente seguro, com um grupo de servidores vulneráveis a partir do qual eles puderam testar seus novos conhecimentos, sem causar danos a ninguém.
Professores, Desafios e Aprendizado Sobre a Mentalidade Hacker
O primeiro objetivo com o Hacker Highschool, era explicar "como funciona a mentalidade de um hacker" para os professores. Era uma situação similar a ensiná-los como "treinar ginastas". Portanto, foi explicado, em detalhes, que eles precisavam dar a seus alunos as ferramentas necessárias para as práticas de hacking e educá-los, rigorosamente, sobre a forma de utilização. Este foi um dos maiores desafios do projeto, mas graças aos esforços e a todo o empenho da equipe, os resultados foram positivos.
Os próximos dois passos foram um pouco mais desafiadores. Primeiro, porque a maioria dos professores não sabia o suficiente sobre hacking para ensiná-lo a nível técnico. Em segundo lugar, a maioria das administrações escolares achavam que o projeto Hacker Highschool era uma espécie de "brincadeira com fogo", passando a ver com "maus olhos", uma iniciativa brilhante e tão valorosa.
Em face desse cenário, foi criada uma metodologia bastante sólida. O desenvolvimento de um Contributor Guide, que se tornou leitura obrigatória para todos os voluntários e professores, destacando um ponto valioso para os alunos: o hacking não é inerente à maldade ou ao perigo, mas é preciso ter cuidado ao colocá-lo em prática; é preciso que ele nunca seja praticado por indivíduos sem escrúpulos. Além disso, a equipe do Hacker Highschool jamais incentivaria o uso das expressões "hacker do mal", "bandido virtual" ou termos similares em suas explicações sobre as várias atividades de hacking.
Isso foi feito com a intenção de evitar que os adolescentes tenham uma imagem errada do cenário em questão, o que poderia lhes causar um sentimento de medo ao tentar lidar com as ferramentas de hacking ou exercer outra atividade afim. Vale ressaltar que todos os aprendizes tem a consciência de que são hackers em formação, e caso venham agir na contramão da legalidade, certamente serão considerados cibercriminosos.
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